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Investigadores alertam que avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta

Investigadores alertam que avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta

A avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta, de acordo com um estudo coordenado pela Universidade de Coimbra. Os investigadores concluíram que, por isso, é necessário um método complementar baseado na decomposição da matéria vegetal.

Inês Moreira Santos - RTP /
DR: Mafalda Gama/Universidade de Coimbra

Embora a decomposição da matéria orgânica seja um processo ecossistémico fundamental e seja bem compreendida a sensibilidade “às alterações nas condições ambientais promovidas por atividades humanas”, ainda é escasso o conhecimento sobre a “variabilidade natural da decomposição da matéria orgânica ao longo de gradientes naturais, especialmente em escalas espaciais intermediárias”, revela o trabalho publicado na revista Freshwater Biology

Lacuna que “compromete o uso da decomposição da matéria orgânica como ferramenta para avaliar a integridade funcional dos rios e ribeiras em programas de biomonitorização”.

Intitulado Moderators of Organic Matter Decomposition in Portuguese Streams: A Field Study and Literature Review, este estudo visava “identificar os principais moduladores da decomposição da matéria orgânica em condições não perturbadas” e, assim, “estabelecer a variação basal natural nas taxas de decomposição da matéria orgânica em rios e ribeiros portugueses”.

Segundo os 23 investigadores de sete instituições nacionais, através da taxa de decomposição da matéria vegetal é possível avaliar a integridade funcional dos ecossistemas aquáticos, facto que não é considerado na avaliação oficial, que se baseia quase exclusivamente em indicadores estruturais, como as comunidades aquáticas ou a qualidade da água.

“Mesmo entre ribeiros praticamente intactos, observamos grande variabilidade nas taxas de decomposição”, afirma Verónica Ferreira, coordenadora do estudo. “Só conhecendo as taxas naturais de decomposição é possível identificar desvios que indiquem perturbações, mesmo antes de serem visíveis nas comunidades aquáticas”.

Há ainda fatores como o tipo de detrito vegetal, a presença de macroinvertebrados fragmentadores, a temperatura da água, o regime hidrológico, a estação do ano e a composição química da água que influenciam a velocidade de decomposição, descreve-se no estudo. Os investigadores referem também que os ribeiros permanentes e intermitentes apresentam dinâmicas distintas, refletindo diferenças na disponibilidade de água e na atividade biológica ao longo do ano.

Os autores defendem, por isso, “a padronização dos métodos de medição das taxas de decomposição - incluindo o tipo de detrito a usar, a duração da incubação e o acesso dos invertebrados - como ferramenta robusta para avaliação funcional e comparações entre diferentes ecossistemas”. “Este trabalho estimula a integração de indicadores funcionais na avaliação da saúde dos rios, permitindo uma visão mais completa e realista da condição destes ecossistemas”, concluem os investigadores.

A equipa de investigação analisou a decomposição de folhas e madeira em 37 ribeiros do continente e da Madeira, realizando ainda uma revisão de 61 estudos prévios sobre decomposição de detritos vegetais em rios portugueses. As lacunas na investigação empírica foram alvo de estudo, o que levou os investigadores a propor um método complementar baseado na decomposição da matéria vegetal.

Foi ainda realizada uma revisão sistemática da literatura para “compilar as taxas de decomposição da matéria orgânica em riachos pouco perturbados em Portugal continental e no arquipélago dos Açores”.

Este estudo foi coordenado pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o laboratório Rede de Investigação Aquática (ARNET).
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